Antes mesmo de lançar sua startup “MeuVeb”, em janeiro deste ano, foram vários testes. Com uma equipe que chegou a trabalhar simultaneamente com 10 pessoas, entre eletricistas, mecânicos, etc, e gastos de mais de R$ 60 mil, Aline conseguiu equipar um Fusca de 1972 (de dar inveja a colecionadores) com motor elétrico. Autonomia de 50 quilômetros e velocidade de 50 km/h.

“É um carro urbano, dentro da proposta de popularizar o veículo elétrico. Não é projetado para viagens, por exemplo. Um estudo apontou que a velocidade média em Vitória é de 30km/h, portanto, o Fusca está excelente. As pessoas ficam mais tempo com o pé na embreagem do que no acelerador”, disse a engenheira, que expôs o carro durante a Mec Show 2018, na última semana, e recebeu propostas de parcerias para o desenvolvimento do motor com empresas do Paraguai e da China.

Kit por R$ 45 mil

O que durou dois anos agora dura dois dias. Esse é o prazo para transformar um carro para elétrico por R$ 45 mil, preço do kit comercializado pela startup. Qualquer veículo pode ser adaptado, mas, inicialmente, Aline vai trabalhar com os mais antigos, com chassi Volkswagen, como Fusca, Karmanguia, Puma e Brasília.

“A nossa proposta é galgar para chegar a carros mais novos”, contou a engenheira, que participa nesta semana de mais uma etapa da InovAtiva Brasil, o principal programa de aceleração em larga escala para negócios inovadores do país, em São Paulo. Seu mentor é o Nelson Nishiwaki, referência em consultoria no mercado automobilístico brasileiro e auditor da Toyota.

Plano futuro

Quando se fala de futuro, a engenheira de Vila Velha reforça que está em fase final de consolidação do seu plano de negócios e, a partir do apoio do seu mentor no InovAtiva Brasil, conseguirá verificar a viabilidade do seu projeto e traçar metas de médio e longo prazos.

Quando pergunto como ela se enxerga num mercado de gigantes, ela brinca: “me sinto uma sardinha no meio dos tubarões”. Mas não tem medo. Encara os desafios e quer popularizar essa nova realidade. “Quando eu me deparei com o valor de um veículo elétrico, eu percebi que a população brasileira não tinha condições de comprar. Eu não tenho condições de comprar, e eu queria muito um carro elétrico”.

Assim como acontece nos Estados Unidos e até mesmo no Uruguai, Aline quer criar um novo mercado: oficinas para transformação de carros elétricos e, ainda, quer compartilhar os veículos.

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