Investimentos da indústria de base são prioridades no Estado

Em uma nova rodada de palestras e debate, a 5ª Conferência Petróleo, Gás e Indústria Naval do Espírito Santo, realizada durante a MEC SHOW – Feira da Metalmecânica, Energia e Automação – apresentou nesta quarta-feira (27), no Parque de Exposições de Carapina, na Serra, as iniciativas da Indústria de Base. Apesar do cenário econômico, os investimentos no Estado seguem como prioridade das grandes empresas.

Nessa perspectiva, Cícero Grams, gerente de Desenvolvimento de Negócios do Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), fez um balanço de todo o projeto desenvolvido a partir de 2012, quando foram iniciadas as obras no município do Norte do Estado, até o momento. Agora, a fase é de instalação do galpão de processamento de aço, que foi projetado para atender a indústria naval – foco da maioria dos estaleiros – e também empresas offshore, conferindo um diferencial ao Jurong. Mais de 90% do empreendimento está concluído.

Um dos destaques de sua palestra sobre Oportunidades, entretanto, foi o anúncio de uma nova seleção de estudantes para treinamento em Cingapura, na Ásia. Em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), de onde serão selecionados os jovens, a capacitação é um programa que possibilita a experiência de atuação em um estaleiro mundial e de alta tecnologia, por 14 meses. “Estou anunciando para vocês em primeira mão que vamos dar continuidade a esse trabalho em 2017. Começamos a seleção na segunda-feira”, contou o gerente do EJA, conseguindo muitos aplausos da plateia.

Mesmo em uma fase anterior às obras, o projeto do Porto Central, em Presidente Kennedy, no Sul do Estado, também continuará a ser desenvolvido pela joint venture entre o Porto de Roterdã (Holanda) e a TPK Logística. A garantia foi dada pelo gerente comercial Frans Jan Hellenthal, ao ser questionado durante as apresentações da Conferência.

Ele disse que, no momento, aguarda a licença de instalação, prevista para ser concedida em cerca de três meses. Depois dessa fase, a empresa avança para iniciar as obras em 2017. O porto, que deverá entrar em operação no começo de 2020, vai dispor de terminais diversos, mas a implantação será feita por etapas.

O projeto prevê um polo industrial, nos moldes do instalado em Roterdã, onde há refinarias, térmicas, entre outras empresas. Segundo Frans Jan, termos de uso com clientes nacionais e internacionais já estão em negociação. O gerente falou também de uma das razões para o sucesso do terminal holandês. “É fundamental criar uma boa convivência entre o porto, as indústrias e a comunidade, sempre levando em consideração o meio ambiente”, concluiu.

 

Expansão

Com atuação diversificada no Estado, a Imetame se lança em um novo projeto, em Camaçari, na Bahia, onde descobriu gás em um dos blocos exploratórios que detém no País. O diretor-executivo Roberto Baptista disse que, com a descoberta, a empresa decidiu investir na instalação de uma Unidade Termelétrica, com previsão de produção de energia para o início de 2018.

São muitas as etapas que precisam ser superadas até a unidade entrar em operação, como construir rede de gasoduto, fazer unidade de medição, entregar o gás especificado. Diante desse cenário, Baptista afirmou que deverá contar com mão de obra e prestação de serviços do Estado, embora a instalação seja em território baiano. “Já estamos conversando com algumas empresas, mas estamos abertos, sim, para receber novas propostas”, ressaltou Baptista, durante a MEC SHOW 2016.

A Conferência ainda teve a participação de Mário Lima Junior, presidente da ZPE Ceará, um caso de sucesso na instalação de parques industriais. Trata-se de uma zona econômica especial que, entre outros benefícios, concede isenção de tributos federais, estaduais e municipais. “Um dos objetivos é atrair novos investimentos, gerar empregos, promover desenvolvimento econômico e social, aumentando a competitividade das exportações brasileiras”, contou.


Petróleo

No primeiro dia da Conferência, na tarde de terça-feira (26), estiveram em debate os desafios e as perspectivas na área do petróleo e gás. As palestras foram coordenadas por José Eduardo Azevedo, secretário estadual de Desenvolvimento.

Logo na abertura, Luiz Alberto Carvalho, coordenador executivo do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, defendeu uma participação mais efetiva do empresariado junto à entidade, a fim de estruturar e articular ações para desenvolver a cadeia produtiva do setor.

Luiz Alberto afirma que o Estado pode ser referência, como Aberdeen, na Escócia, ou Houston, nos Estados Unidos, mas, para tanto, é necessário fortalecer a imagem do Espírito Santo. “Precisamos criar essa ambiência, com empresas e pessoas qualificadas. Assim, vamos atrair investimentos, possibilitando o desenvolvimento de novos produtos e gerando oportunidades para as empresas locais”, observou.

Atualmente, segundo ele, há 14 empresas desenvolvendo 18 produtos, sendo que três estarão no mercado até o final deste ano. Todos os empreendedores estão trabalhando com o apoio do Fórum.

Flávio Rodrigues, diretor da Shell, também falou aos participantes da MEC SHOW 2016, apresentando investimentos e perspectivas da companhia. Um dos dados revelados foi o da produção que, em maio, atingiu o pico de 245 mil barris de petróleo por dia, o que representa em torno de 10% da produção nacional. Até 2020, o objetivo é mais que dobrar esse volume, chegando a 500 mil barris.

“O Brasil é um País extremamente relevante para a Shell. A empresa espera contar com aporte anual de 25 a 30 bilhões de dólares e o Brasil está bem posicionado em termos de investimentos desses recursos”, assegurou Rodrigues.

Quanto ao Espírito Santo, o diretor da Shell afirmou que o compromisso da empresa vai além da produção de óleo e gás e, entre outras iniciativas, aposta em programas de geração de emprego e renda nas regiões onde atua.  

 

Cenário

Uma das preocupações dos que atuam no setor petrolífero refere-se às oscilações do mercado, bem pontuadas pelo coordenador da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Jorge Luis Boeira. Em sua palestra, ele apresentou dados do cenário nacional e mundial do setor, explicando as variáveis que incidem sobre o preço do petróleo, como a guerra do Golfo, por exemplo.

“A queda nos preços tem muita relação com a disputa no Oriente Médio. Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) produzem hoje 45% do petróleo e detêm cerca de 81% das reservas. A questão geopolítica é bastante importante para explicar o mercado”, comentou.

Boeira traçou um gráfico e indicou alguns momentos significativos. Em julho de 2004, o preço do barril era em torno de 50 dólares. Com a crise financeira de 2008, esse valor caiu em quase 80%. Houve uma recuperação, e o barril chegou a 120 dólares. No final de 2014, começa a cair novamente e, em 18 de janeiro de 2016, atinge o preço mínimo, de 28 dólares. “Em relação a investimentos, a redução dos preços impactou o mercado, houve cortes. No Brasil, quase 50% de investimentos deixaram de ser realizados nos últimos dois anos”.

De todo modo, Boeira vislumbra boas perspectivas, com retomada de crescimento do setor a partir de 2017e aumento dos preços dos barris a médio e longo prazo.

Mesmo nos momentos de dificuldades, há boas iniciativas que podem servir de exemplo no País. Com essa proposta, John Crawford, diretor da Subsea UK, contou sobre a experiência no Reino Unido – palestra internacional da MEC SHOW 2016. Novas tecnologias, inovação e uma grande capacidade de exportação são algumas das características da empresa.

Crawford também destacou a parceria entre Reino Unido e o Brasil. “Temos trabalhado juntos desde 2013. Há 200 companhias do Reino Unido ativas aqui, com quase 2 bilhões de libras de negócios. Isso é fantástico! Recentemente, 50 empresas brasileiras visitaram Aberdeen (Escócia). Uma das vantagens é a troca de experiências porque há muitas similaridades entre os países”, opinou.

Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix anunciou que o governo federal tem em sua agenda prioritária a realização de leilões campos de petróleo e gás, tanto em terra quanto em mar. E serão oferecidas áreas no Norte do Estado. 


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